domingo, 14 de julho de 2013

Deu errado

Você me chamou na sala pra conversar mas não houve nem vestígios de conversa, você só me disse que não sabia exatamente o momento em que tinha começado a dar errado. Engraçado, eu poderia ter dito tanta coisa e talvez te contado quando é que começou a dar errado, mas invés disso preferi o silêncio e enquanto você faz as malas para sair pela mesma porta que entrou, dois anos atrás, eu fico aqui. Sentada. Apenas observo. E penso, é claro.
Quando é que começou a dar errado? Você realmente não sabe ou está fingindo não saber para fugir de uma provável discussão que você com certeza perderia? Deu errado essa sua mania de não perdoar as minhas verdades. Deu errado a maneira como você queria chamar atenção. Deu errado você não se importar com o que realmente precisava de importância. Deu errado as suas criticas e falta de elogios. Deu errado você não ter deixado de lado o seu passado para viver o agora. Deu errado seu mau humor constante. Deu errado eu acordar sozinha várias manhãs enquanto você estava na rua. Deu tudo errado.
E pensar que um dia eu imaginei que dessa vez daria certo. Mas não, somos o oposto. E não me venha com essa mesma conversinha de que os opostos se atraem. Ok, podem se atrair, mas quem prova que dão certo? Eu errei também. Errei quando imaginei nós em uma idade avançada, porém ainda felizes. Errei quando te dei o melhor de mim. Errei em colocar sentimento demais na nossa relação. Errei. Errei. Errei. Aliás, era disso que nosso suposto relacionamento era formado: erros.
Deu errado eu ter botado fé em você.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ainda há tempo


Foge enquanto há tempo. Sério. Comece a correr. Corra o mais rápido possível e fuja. Pra longe, bem longe. Lembre-se de olhar para trás e ver se não estou te perseguindo, reze para que eu não te veja escapar de mim. "Escapar de mim" tá aí falsas palavras. Me explique você como é que pode "escapar de mim" algo que nunca foi meu? Eis o amargo efeito das palavras.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Arranjar, compor, reparar


O mar amanheceu calmo, o céu nublado e a brisa gelada. Era apenas mais um dia de trabalho comum para a pessoa que se autodenomina “mecânico”. O que ele faz? Conserta barcos. Todos os tipos de consertos, desde a parte técnica do motor até aquele arranhão na pintura.
A mesma caminhada da manhã até o porto, os barcos posicionados e um longo dia pela frente. Não eram simples consertos, era o prazer de colocar aquelas geringonças para navegar. Era o prazer de ver os sorrisos nos rostos dos amantes do mar. Aquela singela alegria em ajudar.
Ser mecânico não é tão fácil assim. Danos de barcos são pessoas complicadas. Tem sempre aquele que o barco está caindo aos pedaços, mas insiste em dizer que está tudo certo. E há, também, aquele que o barco se encontra em perfeito estado, porém jura de pé juntos que a qualquer momento seu barco vai afundar.
Contudo, ele não desiste de consertar. É o que faz de melhor e o que gosta de fazer. Porque, de um modo complexo de pensar, tudo não passa de um eterno semear de esperança em que se tem que regar para algo florescer. Barcos são como pessoas. Alguns estão furados, outros o motor fundiu e poucos a pintura está gasta. Nada que não tenha conserto, nada que não se possa dar um jeito. É isso que o mecânico costuma dizer e acredita friamente em cada palavra.
E você, qual barco é?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ser humano


Ser humano é a coisa mais – desculpe a expressão – filha da puta que existe. Você conhece algum besouro mentiroso? Um pato que engana outros patos? Um elefante que mata por prazer? Um tubarão que destrói o seu próprio habitat?
Oh raça filha da puta. Vergonha de ser chamada de “ser humano”. A pessoa que disse que o homem é um animal que não deu certo, deveria ganhar um prêmio. Oscar. Nobel. Sei lá, mas presenteiem e reconheçam a genialidade de quem falou tal coisa.
Se reconhecermos como verdade a história que a Tia Maricota – ou seja lá o nome – do ensino infantil contou sobre o meteoro que caiu na Terra e dizimou os dinossauros, desejo que caia outro meteoro. Se há um ser divino, onipotente, onipresente, uma energia superior, um espírito bom – não me importa a sua crença - peça para ele mandar outro meteoro. Sério. Mas peça para ele mandar rápido, com urgência, porque se ele não terminar com essa palhaçada logo, o planeta acaba por si só. Não aguenta.
Tentando fazer uma pequena e idiota comparação da Terra com o corpo humano, temos o seguinte: as células do corpo podem ser representadas pelos indivíduos do planeta – animais, vegetais, fungos, vírus, bactérias... Imaginemos que a pessoa de quem pegamos o corpo para tal comparação, tenha câncer. Então, os seres humanos são esse câncer. O câncer da Terra.
“Ah Nathalye, mas você é humana e nem todo mundo é ruim assim”. Óbvio. Estou falando de uma grande maioria de filhas da puta, não de todos no geral. Lewis disse: oremos para que a raça humana jamais escape da Terra para espalhar sua iniquidade em outros lugares. Só desejo que Deus o ouça.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Os males do pensar


“Ela me disse que era louca e eu não acreditei. Agora estou aqui, assistindo ao telejornal enquanto o rosto dela estampa todas as polegadas da minha televisão. E que rosto... Que boca...Aqueles olhos, agora encontrados fechados... Por que você? Por que eu? Por que nós?”
Não era nada mais do que um domingo comum. O levantar solitário acompanhado do silêncio da rua, as rosquinhas de morango de sempre e o deitar na cadeira de leitura. Passou horas lendo. Horas e mais horas. Até perder a concentração com o barulho do estômago. Revirou o armário em busca de algo rápido e fácil de se cozinhar, mas só encontrou embalagens do que não à apetecia.
Foi até a geladeira. Ah, a geladeira... Sempre tão fria. Lembranças frias. Encontrou o bilhete ali pendurado por um imã. O mesmo bilhete que enfeitava o local durante poucas e longas semanas. Leu-o novamente e quanto mais lia, mais queria ler. Sentia a necessidade de encontrar algo que tivesse entendido errado, desejava ter lido errado. Mas não. Não leu errado. Eram as mesmas palavras. Frias. Sempre frias como a geladeira.
Perdeu a noção do tempo e se viu subindo as escadas para a cobertura do edifício. Sentia o pé quente, que antes se encontrava dentro de uma meia, agora tocando o chão frio e empoeirado. Abriu a porta que dava de frente para um edifício ainda maior que o de sua moradia e saiu rodopiando com os braços abertos, podia sentir o vento soprar e seu vestido subir enquanto seus cabelos voavam. Isso era o número 12 da “Lista de Melhores Sensações do Mundo”. Sentou-se em uma das pontas do alto prédio e, enquanto aproveitava a última respiração ofegante, pôs-se a refletir.
Começou a pensar em todas as palavras que tal bilhete lhe trazia e o que cada uma significava. Era difícil encontrar onde errou com tantas imagens vindo em pensamentos. Sentiu-se enlouquecida, a mente barulhenta demais para aguentar a pressão que as lembranças faziam sobre ela. Levantou. Observou a rua. Pulou.
Pensar dói, machuca, corrói, mas pensar faz bem. Clarice costumava dizer: escrever é uma maldição. Ouso completar com: se escrever é uma maldição, pensar é uma maldição e meia. Contraditório. Pense nisso.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Carta ao leitor


Caro leitor, vim lhe contar que a vida não é fácil. Digo, até pode ser fácil para quem já nasceu com a parte financeira bem estabilizada, uma família que te apoia e destinado a não sofrer por amor. Aí sim a vida me parece muito fácil. Mas a gente sabe, casos assim são raros. Raríssimos. Não baixe o mouse e nem feche a página. Continue aqui. Leia. Por favor.
Sabe quando está dando tudo certo? A vida segue calma, a sensação de alegria está presente constantemente em seu dia a dia... Desconfie. Sério, desconfie. Quando você menos espera, a tempestade chega. Ela derruba seu barquinho que navegava em paz na calmaria desse mar sem fim. E você chora. Esperneia. Grita. Se joga no chão. No fundo, você sabe que nada disso resolve seu problema. Mas faz tudo isso. Não adianta negar, eu sei que você faz.
Você senta no chão, coloca as mãos na cabeça e a cabeça entre as pernas... E desaba. Levanta com raiva, batendo a porta e parando mais adiante para chorar de novo. Você extravasa a raiva, joga as coisas, grita o máximo que pode na esperança de explodir e tudo isso acabar. Depois acalma. Continua chorando, mas agora deitado na sua cama, desejando ser abraçado e se sentir acolhido. Desejando ouvir um "vai ficar tudo bem". O sono te vence e você adormece. Pronto, a tempestade já se foi.
E como eu sei disso? Ah, leitor amado, tão ingênuo... É que, de certo modo, sou leitora também.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Coisas sobre o amor... E o perdão


Eu sou assim. Desculpa. Faço tudo errado. Falo tudo na hora errada. Às vezes, até mesmo machuco a pessoa errada. Apenas me desculpe. Não planejei nada disso, fiz por impulso. Mas eu vou mudar. Quer dizer... Vou tentar. Tenta entender, não é fácil para mim também.
Eu não estava acostumada com gente revirando minha vida. Você chegou, assim do nada, e já fez toda a bagunça que nem um furacão seria capaz de fazer. Eu gosto disso (às vezes). Calma aí, volta cá, sorria para mim e me dê a chance de ao menos tentar explicar. Sabes que sou péssima com explicações, mas por você eu posso tentar. Enquanto isso, apenas me ouça e tente me perdoar.
Eu te prometo, meu bem, vou me esforçar e fazer o melhor que posso. Em contra partida, prometa-me que não guardará mágoas. Você sabe, aliás, sempre soube, que eu nunca quis brigar. Tenha calma, sente-se no sofá e deixe eu terminar. Não faz mais isso, tá? Não vai dormir sem antes olhar para mim, beijar minha testa e dizer "dorme bem". Pode não ter noção, mas isso importa. Importa muito.
Eu não seria quem sou, não teria feito o que fiz e não teria dito o que disse, se não fosse por você. Oh, meu raio de sol, vamos parar de manha e volte a iluminar-me com seus belos olhos. Olhe para mim. Fixe o olhar no meu. Eu quero te dizer que gosto de você. Gosto muito. Do meu jeito errado, é claro, mas gosto. Desculpa, tá?